Eclipse

Parecia, assim, que era meio reveillon.
O povo andando apressado pelo calçadão para ir pra Praia do Diabo ver o eclipse.
Estranhei o interesse súbito por astronomia, depois pensei que era negócio de crise. Pelo menos eclipse é grátis. Mas a verdade é que carioca é animado mesmo. Adora um ajuntamento. Uma farofa. Amo muito.

Parecia tanto reveillon que tinha até casal brigando.
– Que que te custa ir lá dar uma olhadinha?

A Pedra do Arpoador tava com lotação esgotada.
Calçadão também. Mas na areia tinha espaço pra geral. E vendedor de caipirinha. Jogadores de frescobol fingindo que não estavam nem aí pra lua. Cachorros. E muito mais.
E o eclipse? Nada.
– É golpe, eu pensei.
Vai que cancelaram.
E nada.

De repente, começa um alvoroço. Pessoal se levantando nervoso.
– Arrastão! – disse alguém, nestes tempos de neurose na velocidade mil do créu.
Mas era o eclipse. O maior eclipse dos próximos mil anos. Ou dos vinte segundos. Talvez semana que vem tenha outro. Ou uma lua gigante.
Lindeza. Depois alguém resolveu cortar um bolo de aniversário. De um menino. A Praia do Diabo inteira cantou parabéns.
Fiquei pensando que o Rio ainda é meio bom.
Quando ia embora, um homem dizia pro amigo que carioca é tudo escroto.

E foi assim essa sexta. Como se fosse reveillon.
Como se a gente estivesse começando um novo ano.
Vai que estamos.

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caótica, escritora, jornalista, roteirista, o outro blog é o defeito.com, rio de janeiro.