os quebradores de encantos

A porta bandeira desfila pelo salão. E é reverenciada, ela roda.
O mestre sala flutua e sorri. E gira.
É um dia de glória na quadra da escola de samba.
E eles dançam, emocionados. Até que param no meio da multidão . Param num abraço. Num abraço só deles. Só deles, só deles dois.

E sabemos que eles estão a um passo (de dança) de transbordar. Todos nósestamos.
Até os mais bravos diretores de harmonia têm os olhos cheios d’água.
O mundo parece estar congelado naquele momento.
Estamos paralisados. Fomos encantados.

Mas ela não.
Ela, oitenta anos talvez, moradora dali, ela abre caminho e avança em direção à porta-bandeira.
Diz algo no seu ouvido.
E ela, só ela, sabe que também cabe naquele abraço. O abraço mais lindo de todos os tempos. Um abraço que não entendemos por inteiro, a porta-bandeira, o mestre-sala, a senhora. Mas não é preciso, basta saber que é especial. Que é uma benção. Que há mágica. Que há. Basta saber que há.

As pessoa com iphone, motorola, samsung, as pessoa cercam a cena, selfie, stories a porra toda. Quebradores de encanto. Malditos.
Ave, esse gente destruiria o Olimpo em minutos.

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caótica, escritora, jornalista, roteirista, o outro blog é o defeito.com, rio de janeiro.