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rede, a revolução silenciosa

Era nova na reunião de condomínio. Isso é um jeito de dizer que ela estava ali cheia de boas intenções e crenças na convivência harmônica. Esperança de um mundo melhor. – Então, eu queria sugerir que a gente colocasse ganchos para redes no play. A… Read More

a situação

O encontro é para analisar a situação do país. Depois da fala de dois grandes políticos esquerda, um intelectual fumante pede a palavra: – Estou aqui ouvindo e me veio uma dúvida. Todos atentos a sua possível brilhante intervenção. – Me jogo desta janela ou… Read More

os quebradores de encantos

A porta bandeira desfila pelo salão. E é reverenciada, ela roda. O mestre sala flutua e sorri. E gira. É um dia de glória na quadra da escola de samba. E eles dançam, emocionados. Até que param no meio da multidão . Param num abraço.… Read More

o fim do filme

Uma amiga me ligou para falar que ficou pensando no roteiro das nossas vida. E como seria o fim do filme. Quando estivessem passado os créditos, saca, esses filmes que mostram o que aconteceu com os personagens muito tempo depois. E que na hora dos… Read More

Eclipse

Parecia, assim, que era meio reveillon. O povo andando apressado pelo calçadão para ir pra Praia do Diabo ver o eclipse. Estranhei o interesse súbito por astronomia, depois pensei que era negócio de crise. Pelo menos eclipse é grátis. Mas a verdade é que carioca… Read More

Na muvuca

Na muvuca, no gargarejo, no aperto da multidão do lula livre. Ouvi assim. Um pedaço de conversa. – Qualé . Minha mãe fazia salgadinho pro Brizola . Rio, ti amu disgraça.

Os monstros vieram se queixar

Os monstros vieram se queixar. Muito tempo sem sair de casa Até as traças estão numa boa,  gritaram. E comeram toda a biblioteca. Prometi, então, uma noite daquelas. Uma insônia daquelas. Uma nóia daquelas. Quem sabe assim eles ficam quietos. Quem sabe assim eles me… Read More

os amores que aqui não estão

Para onde vão os amores que não mais estão? Para onde?
Se escondem pela casa,  metidos em frestas, junto com as traças, se alimentado dos meus próprios restos.

Enquanto em durmo, eles se deitam ao meu lado e sussurram.
Lembra como foi bom?
Lembra com foi ruim?

Chamei a dedetização.

O reino hipster do hortifruti

Era para ser só uma compra de lances pra faxina mas, no site do supermercado, apareceu o grande anúncio colorido. “Conheça a fruta do momento”. Letras garrafais. Climão. Avimaria, jamais pensei que tivesse que acompanhar as tendências no segmento das frutas. Mas me vi ali, nas portas do reino hipster do hortifruti.

Cliquei.

Pitaya, é ela, a fruta do momento, rosa choque escândalo, e continuei me inteirando, “é doce e tem baixo nível de calorias. Fonte de Vitamina C, rica em fibras e minerais, principalmente fósforo e cálcio. Possui quantidades significativas de antioxidantes, que previnem os radicais livres.” Saudades de quando uma fruta era uma fruta e tava mais que bom. Hoje elas vem até com bula. Certeza de que o mundo complicou.

Lembro de um dia,  hora da sobremesa.  Ele parece na sala de jantar com quatro kiwis em uma bandeja. Toda a mesa faz “óóóó”.  O pai vai logo avisando que não é pra acostumar. Só daquela vez, “só para experimentar”.  Cês num têm nostalgia de umas coisas loucas, quando a vida era meio ruim?  Kiwi era extravagância, o cinema nem tinha lugar marcado e quando abria a porta da sala todo mundo saia correndo como se fosse o apocalipse, era horrivelmente bom, sei lá. Eu tenho saudades daquele mundo mais impossível, em que eu sonharia a vida toda com uma pitaya porém jamais provaria. Ficaria querendo para sempre essa fruta exótica, e planejando uma viagem até um pequeno povoado da América Central, talvez nem tão naif, só comer uma pitaya em um mercado na Cidade do México, mas nunca chegaria lá. O desejo, o desejo. o desejo.

A pitaya foi entregue ontem aqui em casa junto com o sabão em pó e a água sanitária.
Tem gosto de melão. De melão, pense num desgosto.
Saudades, mundo impossível.